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(Seco+ Hurle)
Inspirado pelo onirismo do cinema experimental surrealista, em particular pelo trabalho da realizadora Maya Deren, HURLE é um mergulho no inconsciente. O filme explora as relações entre o visível e o invisível, entre o exterior e o interior, entre o consciente e o inconsciente. Tendo como pano de fundo paisagens minerais e florestais, acompanhamos uma mulher-oráculo e as suas alucinações proféticas. Os espelhos funcionam aqui como brechas no tempo e no espaço. Oscilamos entre o ambiente natural e visões interiores. Neste ecossistema mágico, o corpo transforma-se, cresce, encolhe, fragmenta-se, dando lugar a formas de aparição: duplos inquisidores, quimeras rugidoras, rostos que gritam, um olho fulgurante. A banda sonora é inteiramente criada a partir de gravações vocais. A voz, tratada como uma matéria em metamorfose, torna-se ora vento, fumo ou pássaros — confundindo-se assim com o ambiente que a rodeia —, ora volta a ser humana, num grito de raiva libertador.
Flora Détraz (Paris, 1988) é bailarina, vocalista e coreógrafa. Após uma formação em dança clássica e estudos de literatura, integrou o programa de formação do Centro Coreográfico Nacional de Rillieux-la-Pape, sob a direção de Maguy Marin, e posteriormente o ciclo de estudos coreográficos do Forum Dança, em Lisboa. A sua formação inclui, nomeadamente, o trabalho com Vera Mantero, Lia Rodrigues, Meg Stuart, Meredith Monk e Marlene Monteiro Freitas.
Flora Détraz trabalha na intersecção entre a coreografia, a performance e a música, dedicando uma atenção particular à voz. Cria obras híbridas e multidisciplinares que exploram, através do diálogo entre o corpo e a voz, as noções de invisível, transformação e metamorfose. O seu trabalho questiona as convenções sociais e as representações dos corpos, em particular dos corpos femininos. Enquanto intérprete, colabora com a coreógrafa Marlene Monteiro Freitas.
Realização
Flora Détraz
Imagem
Vincent Bosc
Som
Claire Mahieux
Consultora artística
Justine Bougerol
Filmado em Les Cévennes, França
Produção
PLI
Com o apoio de
Écran Vivant — ONDA e do Lux — Scène nationale de Valence
Duração
10 min.
M/12