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CenDDA - Centro de Documentação de Dança do Algarve

‍Há coisas que guardamos para não desaparecerem.
E há coisas que guardamos para que possam voltar a acontecer.

Um gesto pode ser um arquivo. Uma voz também. Uma fotografia, um livro, uma cassete, uma folha dobrada dentro de outra folha, uma coreografia que alguém ainda sabe fazer, uma história contada por quem estava lá.
O que acontece às danças depois de deixarem de acontecer?
Criado em 2023 pela CAMA — Associação Cultural, em parceria com a Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas e o Município de Lagos, o CenDDA — Centro de Documentação de Dança do Algarve nasce da vontade de recolher, preservar e tornar acessíveis materiais, histórias e pensamentos que atravessam a dança e as artes performativas, construindo, a partir do Algarve, um arquivo vivo, plural e em permanente transformação.

Mais do que reunir aquilo que ficou para trás, interessa-nos perceber de que forma um arquivo pode continuar a produzir presente. Como pode ser tocado, consultado, interrogado, deslocado e novamente colocado em circulação. Como pode aproximar uma pessoa de uma obra que nunca viu, devolver uma imagem a quem a viveu ou fazer chegar uma história a alguém que ainda não tinha nascido quando ela aconteceu.

O CenDDA desenvolve-se através de dois núcleos complementares: uma Biblioteca de Artes Performativas, com especial incidência na dança e aberta aos seus cruzamentos com outras disciplinas, constituída através da aquisição e doação continuada de livros, publicações e outros materiais; e um Arquivo / Mediateca, que reúne registos audiovisuais, fotográficos, sonoros, escritos e documentais cedidos por artistas, intérpretes, coreógrafas e coreógrafos, estruturas e pessoas ligadas à investigação e às artes performativas.

A cada edição do PEDRA DURA — Festival de Dança do Algarve, parte deste corpo volta a abrir-se. O CenDDA transforma-se temporariamente num espaço expositivo, de consulta, encontro e descoberta, colocando documentos da sua coleção em relação com as obras, artistas, públicos e questões que atravessam o Festival. O arquivo deixa, assim, de ser apenas aquilo que conserva: torna-se matéria para conversar, pensar, experimentar e imaginar.

Em 2027, o CenDDA inicia um novo ciclo.

Um ciclo dedicado à catalogação, arquivo e ativação do património que tem vindo a reunir, mas também à procura de novas formas de o fazer circular. O CenDDA começa a sair do seu lugar de origem e a desenhar itinerâncias pela rede de bibliotecas do Algarve, criando diferentes momentos de apresentação, consulta e ativação dos seus acervos.

Paralelamente, aprofunda a relação com escolas da região, aproximando estudantes, docentes e comunidades educativas da história e das práticas da dança e das artes performativas. O arquivo passa, assim, a poder acontecer numa biblioteca, numa escola, numa sala de aula, numa mesa onde se abrem livros ou diante de um ecrã onde reaparece um corpo de há vinte, trinta ou cinquenta anos.

Queremos que aquilo que guardamos possa viajar.

Porque talvez um arquivo não exista apenas para nos dizer o que aconteceu. Talvez exista para nos perguntar o que fazemos agora com aquilo que recebemos.

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